Tags

, , , , , , , , ,

A vida nos expõe constantemente à ambientes e circunstâncias adversas. As pressões e obstáculos que a vida nos reserva são inevitáveis e intransferíveis. Querendo ou não, elas estarão diante de nós, e teremos que enfrenta-las. O que difere as pessoas são como elas reagem à tais ambientes e circunstâncias adversas. ResiliênciaA psicologia positiva, um ramo da psicologia que desenvolveu-se nas últimas duas décadas, tem trabalhado este tema e desenvolveu o conceito de “resiliência”, definido como a capacidade do indivíduo de lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas, choque, estresse etc. Embora este conceito seja apresentado como uma novidade dentro da psicologia moderna, o Evangelho de Jesus já apresentou com muito clareza este conceito de bem estar da vida. Ninguém, mas do que Jesus, viveu e ensinou tão intensamente este conceito da “resiliência”. O apóstolo Paulo, como seguidor dos ensinos de Jesus, após sua conversão viveu fortes pressões e adversidades. Em sua segunda carta aos Coríntios ele descreve um pouco das adversidades que viveu: “Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos. Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas” (2 Coríntios 11:24-28). Paulo, podia dizer com toda autoridade que ele sabia, na prática, como é viver “resiliência”. A despeito de tantas adversidades ele conclui, escrevendo as Romanos: “Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou”. (Romanos 8:37). E, é da prisão que ele escreve a carta aos Filipenses, na qual ele nos revela o segredo de suas vitórias. Paulo estava preso. Pesava sobre sua cabeça uma sentença de morte. Estava passando necessidades; talvez, até fome. Ainda assim, declara estar contente! Qual o seu segredo? Onde ele encontra tamanha força e coragem? Ele mesmo afirma: Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece.” (Filipenses 4:12,13). As palavras de Paulo nos revela que resiliência tem passos que precisam ser trilhados por aqueles que querem viver “contentes em toda e qualquer situação”.

Em primeiro lugar, isto é um aprendizado – aprendi, afirma o apóstolo Paulo. Este aprendizado envolve três áreas da vida: administrar emoções, dominar impulsos e analisar o ambiente.

Administrar emoções – Meu sábio pai sempre me lembrava de que o coração foi posto abaixo da cabeça, para nos lembrar de que ele não pode dominar nossas ações. O profeta Jeremias diz: Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer? (Jeremias 17:9). Conhecer bem o nosso coração e saber como ele reage à diferentes situações é um fundamental para alcançarmos uma vida feliz em qualquer circunstância.

Dominar impulsos – Nunca tome decisões enquanto a poeira está alta, dizia meu sábio e velho pai. As reações impulsivas sempre nos levarão à caminhos mais difíceis ainda. Paulo em Gálatas 5:23 apresenta o domínio próprio com fruto do Espírito de Deus, em nós. Em certo sentido, todo pecado contra Deus e contra o nosso próximo está associado à ausência de domínio próprio.

Analisar o ambiente – Quando identificamos precisamente as causas dos problemas e das adversidades presentes no ambiente, podemos nos colocar em um lugar mais seguro ao invés de permanecermos em situação de risco. Jesus, constantemente se movia considerando o ambiente ao redor de Si. O apóstolo João disse: “Depois disto andava Jesus pela Galileia; pois não queria andar pela Judéia, porque os judeus procuravam matá-lo.” (João 7:1). Uma boa e criteriosa análise do ambiente nos dará uma correta direção para seguirmos diante das adversidades. Algumas vezes precisamos recuar; outra vezes precisamos buscar um outro ângulo de abordagem. Mas isso só será possível com uma criteriosa análise do ambiente no qual vivemos.

Em segundo lugar, é uma atitude – viver, explica o apóstolo Paulo. Esta atitude precisa ser orientada por três princípios: Empatia, conectividade e otimismo.

Empatia – Tudo fica bem mais fácil quando nos colocamos no lugar dos outros e entendemos suas razões. Empatia é a capacidade de compreender o estado emocional dos outros (emoções e sentimentos) e assim incorporar, de certa maneira em nós, suas emoções. No maravilhoso Sermão do Monte Jesus nos adverte: “tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lhe também vós, porque esta é a lei e os profetas” (Mateus 7:12). Paulo conclui: “…alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram.. (Romanos 12:15).

Conectividade – O ser humano é um ser social e a maioria das soluções das nossas adversidades depende da nossa capacidade de saber utilizar nossa rede de relacionamento para soluciona-las. A interdependência é um princípio enfatizado por Paulo, quando ele compara a Igreja ao corpo humano. Ele tem vários membros com funções diferentes, mas todos cooperam para o bem uns dos outros.

Otimismo – Otimismo não pode ser um sentimento leviano e inconsequente. O otimismo só será sadio e eficaz se sustentar-se na fé em Cristo. Por isso o apostolo Paulo conclui: “Tudo posso naquele que me fortalece”. Nosso otimismo preciso alicerçar-se no fundamento correto: “Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que crê em mim, esse também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas; porque eu vou para o Pai” ( João14:12). O otimismo cristão não é uma euforia vazia e leviana. O otimismo cristão alimenta a confiança de que as coisas podem ser diferentes e que o futuro pode ser melhor quando confiamos em Deus. O otimismo cristão nasce da fé Naquele que tudo pode e que nada lhe é impossível.

Como cristãos, como qualquer outro ser humano, nós passaremos por adversidades na vida, da fome à fartura; da humilhação à honra; da escassez à abundância. Mas é possível aprender a manter-nos em serenidade e no controle de toda e qualquer situação. O nível de nossa resiliência será proporcional ao grau de comunhão que mantemos com Deus, através de Cristo Jesus.

A plenitude deste aprendizado só será possível como resultado de uma íntima e profunda relação com Deus nosso Criador e Cristo nosso Senhor. Que assim Deus nos abençoe!