Tags

, , , , , , , , ,

Hoje pela manhã acordei pensando numa possibilidade impossível, desculpem-me o trocadilho. Não me considero uma pessoa mal sucedida na vida. Considerando o ponto de partida de minha vida e onde cheguei até agora, sou muito grato a Deus pelas minhas conquistas. Muitas delas, absolutamente impensáveis para um menino pobre, nascido na zona rural de Mimoso do Sul, e décimo filho de um caminhoneiro que lutou herculeamente para criar sua prole. Por outro lado, tenho consciência de que poderia ser muito mais bem sucedido na vida, se aprendesse logo cedo o quanto a “teachability” pode nos tornar pessoas vitoriosas. Desculpem-me o anglicismo, mas parece-me que esta palavra não encontra uma correlata no nosso rico português, que possa expressar a força que elateachability tem inglês. Teachability é a capacidade que podemos desenvolver de ter vontade de aprender, ser dócil aos ensinamentos dos mestres, e estar sempre pronto e ávido a aprender. Esta habilidade é uma das mais importantes chaves para o sucesso.

A vida só nos permite viver uma única vez, cada situação. Heráclito, o pai da dialética, filósofo pré-socrático afirmou: “Um homem não entra duas vezes no mesmo rio”. Da segunda ou próximas vezes, será um outro homem e um outro rio. Nós vivemos um processo constante de mudanças e o mundo ao nosso redor é dinâmico, tudo muda constante e rapidamente. Estas duas variantes nos obrigam a estar sempre aprendendo, pois o que sabíamos ontem já não serve muito para hoje e muito menos para amanhã.

“Aquele que quer aprender gosta que lhe digam quando está errado; só o tolo não gosta de ser corrigido”.[1] Aprender, exige de nós certa disciplina e decisões intencionais.

Em primeiro lugar, precisamos estar abertos à possibilidade de estarmos errados. A arrogância daqueles que se acham sempre com a razão, embrutece o conhecimento e enrudece a mente. Nosso instinto humano sempre nos induz à fechar nossos ouvidos aos diferentes, e é exatamente na diferença de opiniões que aprendemos e crescemos. Os iguais não nos acrescentam nada ao que já temos. A diversidade é rica, e nos ensina.

Precisamos também, considerar com atenção os conselhos daqueles que já passaram pela estrada que nós estamos passando. A vida é uma longa estrada que não tem retorno, ela não nos permite pisar os mesmos lugares já pisados. Quantas vezes lamentamos “ah, se eu pudesse voltar atrás…” Lamentar jamais nos fará voltar atrás, mas há pessoas que já trilharam o caminho pelo qual estamos passando, e podem nos ensinar sobre suas curvas e perigos. A experiência é um precioso legado daqueles que estão à nossa frente na estrada da vida. Aprender com os mais velhos não nos custa nada, apenas requer de nós humildade e interesse.

Precisamos ainda reconhecer que todos tem o que nos ensinar, todo tempo temos algo a aprender e todo aprendizado é útil. Estes são os “todos” daqueles que são teachable. Aprendemos coisas importantes com pessoas com quem ninguém espera aprender. Por mais simples que alguém seja, sempre tem algo a ensinar. Algumas pessoas acham que já viveram muito e que sabem tudo. Ledo engano, vivemos e morremos aprendendo. Aprendi isso com uma saudoso amigo que já está com Jesus. Rev. Josué[2] entrou na minha classe, no primeiro dia do curso de Homilética que eu iria ministrar. Constrangido eu interpelei: “Reverendo o senhor deveria estar aqui ensinando.” Ele sabiamente respondeu: “Não, eu tenho muito que aprender, quem acha que sabe tudo não aprende nada. ”Todo aprendizado é útil, senão hoje, o será amanhã. Meu velho pai, em sua simplicidade dizia que tudo que aprendemos, um dia precisaremos.

Se os anos voltassem eu queria aprender mais; queria errar menos e chegar mais longe do que já cheguei. Eis ai o segredo de quem vai mais longe. Thomás Edison sintetizou assim: “Mostra-me um homem cem por cento satisfeito e eu mostrar-te-ei um fracassado.”

[1] Rei Salomão em Provérbios 12:1 (NTLH)

[2] Rev. Josué Jorge foi pastor emérito na Primeira Igreja Presbiteriana de Ponta Grossa.