Tags

, , , , , , , , , , , , ,

isto é preciosoEra um tempo difícil. Eu e minha esposa aceitamos o chamado do Senhor para nos dedicamos ao ministério, servindo a Deus onde quer que Ele nos chamasse. Nos mudamos, e fomos para o Seminário Presbiteriano de Campinas, nos preparar para servirmos ao Senhor. Nosso sustento se resumia a uma pequena ajuda que nossa igreja podia nos enviar, uma pequena remuneração que recebíamos da Congregação onde nos dedicávamos aos finais de semana, e a ajuda de generosos irmãos, dentre eles, o casal Santini que adotou-nos como filhos, a quem aprendemos amar como nossos próprios pais.

Karine TheodoroNossa primeira princesinha, a Karine, já havia nascido, nossa segunda princesinha, a Aline, estava a caminho. As dificuldades financeiras eram desafiantes. Nesta efervescência de mudanças, Karine adoeceu seriamente a ponto de pensarmos que perderíamos nossa princesinha. Foram meses de choro e oração intensa. Por fim, por uma graça divina, encontramos a Dra. Rose, um anjo de Deus que cuidou de Karine com amor de mãe. Recuperada, como se nunca tivesse estado doente, Karine tornou-se uma criança ativa e serelepe como qualquer outra criança, e queria muito ganhar uma bicicleta. Nossa situação financeira não permitia tal extravagância. Por fim, dias antes de completar seus três aninhos, a avó materna nos enviou um dinheiro para comprar a tão desejada bicicleta. Ansioso, peguei um ônibus e fui compra-la. Findei por trazê-la mesmo no ônibus com muita dificuldade, tal era minha ansiedade de ver seus olhinhos brilharem de alegria. Coloquei a caixa no meio da sala e chamei Karine, que brincava com seus amiguinhos na campo de futebol do Seminário. Mostrei-lhe a caixa e disse que ali estava o presente da vovó çãozinha, como ela assim a chamava. Para minha frustração, ela abriu a caixa, olhou rapidamente e exclamou: “Ah, é uma bicicleta”. Rapidamente, e sem maiores cerimônias, retornou para brincar com seus amiguinhos.

Dias depois, cheguei para almoçar, cansado das madrugadas de estudos. Almocei, e deitei-me para descansar os parcos 30 minutos que tinha, antes das aulas da tarde. Karine pulou na cama e com os olhinhos brilhando de alegria me convidou euforicamente: “Pai, vamos brincar de pular na cama?” Era sua brincadeira favorita. Tentei em vão, convence-la de que eu estava muito cansado e que brincaria outra hora. Sua insistência me fez esquecer o cansaço e concordei, sob a condição de ser 10 minutos de brincadeira e 20 de descanso. Seus olhinhos brilharam como estrelas do céu, sua alegria era incontida, e sua felicidade contagiante.

Brincamos, e retornei à sala de aula pensando naquele singular momento de alegria. Minha mente vagava entre as duas cenas: a da bicicleta e os pulos na cama. Descobri naquela tarde, que graças a Deus, minha filha ainda não havia aprendido com os perversos adultos o valor de coisas, mas permanecia com suas convicções infantis com as quais nascemos, com a verdadeira percepção do que realmente é preciso. Por isso o Mestre nos ensinou: “[Jesus] chamando uma criança, colocou-a no meio deles, e disse: “Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus.”[1]. Que façamos renascer todos os dias, a criança latente que temos dentro de nós. Que Deus nos abençoe!

[1] Evangelho de Mateus 18:2,3 (NVI)