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Ela já é de meia idade. Já precisou de algumas recauchutagens, e já não é como era quando novinha. Já pensei em trocá-la por uma mais nova, mas é caso de amor antigo, não adianta. Foi um presente de um grande amigo, a quem admiro muito, Dr. Peter Heslin, quando anos atrás, mudou-se para Sidney, Austrália. Ela me acompanha há anos. Minha velha máquina de cortar grama já da sinais de cansaço, e parece insistir pedindo para aposentar-se. Eu insisto em tê-la comigo, não apenas por uma questão econômica, mas acima de tudo por uma questão afetiva. Gosto de amizades antigas. Gosto de cuidar das velhas amizades e investir em novas. PersistênciaAssim, ela vai vencendo os anos como minha companheira, nos meus agradáveis momento de cuidar do jardim. Cuidar da grama, cortá-la e aduba-la regularmente é uma prazerosa atividade que oxigena minha mente e alivia minhas tensões. A tradição americana de grandes gramados em frente às casas é criteriosamente fiscalizada pelo poder público. Se não cuidamos dele, mantendo-o em bom estado, recebemos uma advertência do governo municipal. Se insistirmos no desleixo, o próprio governo municipal cuida e envia-nos a conta do serviço. Assim, cuidar bem da grama de nossas casas é quase um dever cívico. Claro, não é tarefa fácil, mas eu mesmo gosto de fazê-la, ao contrário da maioria dos americanos que paga 25 ou 30 dólares aos “grameiros”, por cada vez que cortam suas gramas. O gratificando é o fim da tarefa quando sinto aquele agradável cheiro da natureza. É uma gostosa sensação vê-la bem cuidada, parecendo agradecer nos dias subsequentes, devolvendo-nos um verde todo especial, cheio de vida. Para mim, preparar as máquinas e seguir uma sequência ordenada e organizada nesta tarefa sabática é um prazeroso ritual. Dias atrás, quando preparava as máquinas para meu ritual sabático, algo desafinou a rotina. Minha velha máquina sofreu uma pane, consequência de uma grande chuva que caiu nos dias anteriores, provavelmente molhando partes vitais do motor. Por maiores que fossem meus esforços, ela não funcionava. Enquanto tentava, chegou meu amigo Luciano Silveira, juntamente com Celídio, meu genro. Nós três insistimos na tentativa de fazê-la funcionar, sem sucesso. Por fim, Luciano sentenciou o fim da minha velha máquina, apoiado pelo meu genro: “Pastor, essa pode ir para o lixo”. Ainda esperançoso de ver minha velha companheira voltar a funcionar, decidi guarda-la para novas tentativas, outro dia. Quando já estava colocando-a no depósito, resolvi fazer a última tentativa, e para minha surpresa, funcionou. Cortei minha grama, e minha velha companheira parece ter ainda muito fôlego para seguir comigo, por muito tempo.

Minha experiência naquela manhã de sábado me fez refletir sobre o quanto é importante persistir. A vitória pode estar exatamente na próxima tentativa. Fiquei imaginando quantas vezes desistimos quanto estamos tão perto. Tenho tentado pautar minha vida em alguns princípios que tem me ajudado, muitas vezes. Não sou especialista no assunto, por isso, minhas percepções sobre a matéria não possuem fundamentações científicas, mas baseiam-se no empirismo da vida. Pode ser que funcione para você, também:

1) Tentativas frustradas não podem ser contabilizadas como derrotas, precisam ser encaradas como passos no processo das conquistas – Os grandes homens da história universal não se tornaram célebres apenas por serem gênios, mas acima de tudo por serem persistentes. Thomas Alva Edison registrou durante sua vida, 2.332 patentes de suas invenções. Aperfeiçoou e sistematizou a produção maciça de inúmeros de seus inventos.[1] Foi um pertinaz perseguidor de resultados e sempre via seus aparentes insucessos como passos, no processo da conquista. Suas convicções pessoais alimentavam sua persistência: “Muitos dos fracassos desta vida estão concentrados nas pessoas que desistiram por não saberem que estavam muito perto da linha de chegada.[2] Tenho sempre, em minha vida, tentado perseguir o princípio de que o último passo é o passo da conquista, e não da desistência. Sempre haverá mais um tentativa, até que objetivo seja alcançado. O último passo nunca deve nos levar à desistência. O último passo precisa ser o passo que nos coloque no podium.

2) A murmuração e o pessimismo comprometem o espírito de persistência e adiam as conquistas – Naquele sábado, quando as primeiras tentativas de fazer a máquina funcionar sinalizaram que ela parecia ter chegado ao fim, eu comecei a murmurar, mentalmente. Imediatamente lembrei-me de uma mensagem que eu havia recebido naquele dia, logo pela manhã. Um grande amigo me pedia que orasse por sua viagem missionária para San Marcos, interior do Texas, onde 2 mil pessoas haviam perdido suas casas, devido às fortes chuvas da semana. Senti-me profundamente envergonhado por estar murmurando por algo tão banal. Eu murmurava apenas porque minha velha máquina de cortar grama não queria funcionar, enquanto milhares de pessoas há poucas milhas de mim sofriam o desfortúnio de terem perdido suas casas. Na maioria das vezes murmuramos por coisas tão insignificantes, enquanto pessoas ao nosso redor enfrentam problemas infinitamente maiores. Paulo nos encoraja a sermos gratos em todas e quaisquer circunstâncias: “Dêem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus”.[3] Dar graças à Deus por tudo é reconhecer que Deus está no controle de nossas vidas e que cuida de nós todo tempo.

3) Uma pausa em nossas tentativas permite que nosso cérebro trabalhe alternativas e soluções viáveis – Não sei qual o fundamento científico. Mas, eu creio que enquanto ocupamos nossas mentes com outras coisas que não sejam o foco do problema que estamos vivendo, desconectamos, dormimos ou descasamos, nossas mentes trabalham como que em segundo plano, numa espécie de reflexão inconsciente, buscando soluções para o problema. Não foram poucas as vezes que eu coloquei em “stand by”, algo com que eu estava trabalhando, e quando voltei a pensar sobre o assunto, fluiu soluções claras e simples. Muitas vezes, deitei-me com algo que parecia insolúvel em minha mente, e surpreendentemente ao acordar pela manhã, a solução veio de forma tão clara, como a luz do dia. Gosto de pensar que isso tem conexão com a afirmação do sábio Rei Salomão: “Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados Ele o dá enquanto dormem”.[4] Parece-me que a maioria dos gigantescos desafios diários do Reino de Salomão eram solucionados, servindo-se desta extraordinária habilidade de nossas mentes, de trabalhar enquanto dormimos. Além, é claro, do sobrenatural “overnight” cuidado de Deus conosco, podemos ainda contar com este fantástico poder de nossas mentes, criadas por Deus. Tenho a sensação de que quando afrouxamos a pressão sobre elas e relaxamos, elas trabalham de forma criativa e infinitamente melhor, trazendo soluções simples e funcionais para nossos desafios. Fico imaginando quantas vezes na vida desistimos de coisas que estávamos a um passo de conquistar. O grande inventor Thomas Edison era obcecado em tentar mais uma vez. Ele disse: “Nossa maior fraqueza está em desistir. O caminho mais certo de vencer é tentar mais uma vez”[5]. Desistir é a desastrosa maneira de enterrar definitivamente nossos sonhos. Persistir é a única maneira que nos leva a alcança-los. Se você já tentou muitas vezes, tente mais uma. Quem sabe este será o último e decisivo passo para conquistar o seu sonho.

Nosso dia-a-dia está cheio de boas lições de vida, basta estarmos antenas e veremos. Há sempre uma velha máquina de contar grama perto de nós, nos ensinando grandes lições. Que Deus o abençoe!

[1] Acessado em 4 de julho de 2015, https://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Edison#Inven.C3.A7.C3.B5es

[2] Tomás Edison, Acessado em 4 de julho de 2015, http://pensador.uol.com.br/autor/thomas_edison/

[3] Apóstolo Paulo em 1 Tessalonicenses 5:18 (NVI)

[4] Rei Salomão em Salmos 127:2 (RA)

[5] Thomas Alva Edison. Acessado em 05 de julho de 2015, http://kdfrases.com/frase/117475