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O meteórico avanço do mundo virtual nos últimos 30 anos mudou o modus operandi das relações sociais, políticas e até mesmo econômicas do mundo. Os parâmetros que determinavam as relações humanos até os anos 80, tornaram obsoletos e são apenas lembranças históricas de um tempo que já se foi. Hoje o mundo virtual determina as normas. O interessante é que esta nova realidade vivida neste mufacebookndo pós-internet é amoral. Com isso, não estou afirmando que seja imoral, mas que é desprovida de referência de moralidade. A virtualidade pós-internet abriu uma imensa, ágil e eficaz rede de comunicação do mundo com o mundo. Tornou-se um imenso espaço democrático em que todos, praticamente sem exceção, podem expor seus pensamentos e opiniões. O momento agora é do Facebook que com toda certeza passará o pódium de “rei da rede” para outros e outros que virão após ele.

No meio dessa enxurrada de coisas que transita na rede, especialmente no Facebook, podemos garimpar grandes pérolas e conceitos e valores para a
vida. Não é difícil, temos muitas coisas boas circulando na rede. No entanto, algo me incomodo. Parece que a farta exposição dessas coisas boas empanturrou a galera, tornando-nos apenas contempladores e admiradores destas pérolas. Elas apenas nos impressionam, mas não nos impactam a ponto de produzir mudanças.

Estes dias me peguei numa dessas. Repliquei no meu timeline uma interessante frase de C. G. Jung, o famoso psiquiatra suíço que reinventou os pensamentos de Freud, desenvolvendo a psicologia analítica. Dias depois me vi diante de uma situação que me colocava no grupo dos que apenas contemplam bons pensamentos, mas não permitem que eles produzam mudanças.

Em algumas de nossas casas aqui no Texas, os banheiros sociais são compartilhados com dois ambientes. Em geral, um acesso para a sala de estar ou corredor que leva às áreas sociais da casa, e outro acesso geralmente para o escritório, o que é o nosso caso. Acontece que quando usamos o banheiro, temos que trancar a duas portas e é de se esperar que ao terminarmos, destranquemos as duas, permitindo o acesso de ambos os ambientes. Mas nem sempre na prática isso acontece. Quase sempre destrancamos apenas a porta pela qual estamos saindo. Inúmeras vezes que tentei usar o banheiro enquanto trabalhava no escritório, encontrei a porta trancada por dentro, obrigando-me a dar a volta pela porta de acesso da sala de estar. Numa dessas vezes, sentenciei para mim mesmo: vou começar a deixar trancada a porta de acesso da sala também, assim eles aprendem a destrancar a porta de acesso ao escritório.

Dias depois me deparei com a frase de Jung postada no meu Facebook, que me fez refletir: “Tudo que nos irrita nos outros pode nos levar a um entendimento de nós mesmos”.[1] Imediatamente a ficha caiu. Eu estava redondamente equivocado com aquela reação. Não podemos irritar os outros com aquilo que nos irrita, isto não nos leva a lugar algum.

Jung parece expressar em outras palavras o que o Mestre nos ensinou há dois mil anos: “Portanto, tratem as outras pessoas da mesma maneira que gostariam de ser tratados por elas. Este é o real significado da lei de Moisés e do ensino dos profetas”[2]

É tão simples e direto o ensino de Jesus. O mundo seria outro se vivêssemos este princípio. Eu e você não podemos mudar o mundo, mas podemos melhorar o mundo que orbita ao redor de nós. Antes de reagir, fazer e falar, pergunte-se “é isso que eu gostaria que fizessem comigo?”

Por fim, quando você curtir, replicar, ou compartilhar um lindo pensamento no seu Facebook, pergunte-se: “como isso impactará e mudará a minha maneira de ser. Talvez essa nossa atitude fará do Facebook um instrumento de boas e agradáveis mudanças nas nossas vidas. Que Deus te abençoe!

            [1] Acessado em 6 de agosto de 2015 às 9:45am, http://pensador.uol.com.br/frase/NDMxMzk/

            [2] Evangelho de Mateus 7:12 (VFL)