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Perder coisas preciosas em cruciais momentos da vida é inevitável. É preciso compreender que a história é entremeada de ganhos e perdas. No entanto, muitos de nós não sabemos e não gostamos de administrar nossas perdas. Algumas pessoas chegam a

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Nossa doce Karine com 5 aninhos

Em 1985, eu e Jô nos mudamos com nossa primeira filha para Campinas, mais de mil quilômetros distantes de nossos familiares e amigos, com quem convivíamos há décadas. Karine tinha 2 anos. Um linda e falante menina, cheia de vida e saúde. Logo nas primeiras semanas percebemos uma enorme mudança comportamental em Karine. Perdeu o apetite, já não era tão falante e já não interagia com facilidade com as pessoas, ao seu redor. Em pouco tempo perdeu muito peso e assim começou nossa peregrinação pelos hospitais e médicos. Aparentemente tudo estava normal, mas Karine cada dia nos preocupava mais. Continuou perdendo peso e por fim já não andava, chegou a estar tão debilitada que nem se quer se sustentava sentada na cama. Pensamos que perderíamos Karine. Era nossa primeira filha, primeira neta, primeira sobrinha. Ela era o xodó da família, querida e paparicada por todos, na igreja. Com nossa mudança, ela perdeu de uma só vez todo esse precioso círculo de carinho e amor. Ela não podia entender o que estava acontecendo e nem se quer tinha noção da distância que nos separava das pessoas com quem convivíamos. Estavamos desesperados. Foi quando, Deus colocou uma pediatra no nosso caminho. Aliás, um anjo. Dra. Rose, uma experiente pediatra, examinou Karine por horas, conversou conosco por outras tantas, e por fim diagnosticou: Karine está ótima de saúde física. Ela apenas está sofrendo por essas grandes perdas, e sua mente infantil não sabe processar isso. Ela precisa de muito carinho e relacionamentos fortes para superar suas perdas. Deus colocou em nosso caminho, o casal Newda e Alberto Santini, que nos “adotou” como filhos e Karine como neta. Envolveram Karine com especial amor. Newda, frequentemente levava Karine para passear nos parques, fazer compras e outras atividades. Como por um milagre, Karine voltou a comer e rapidamente recuperou-se. Karine cresceu, e hoje adulta ainda luta com seu constante medo das perdas. Muitas vezes prefere nem se quer lutar por seus desejos, com medo de conquista-los e depois perde-los. Hoje, Karine tem consciência deste trauma que marcou sua personalidade. Ela procura trabalhar isso e tem voltado a sonhar, sem medo de ser feliz. Compartilho isso, porque eu sei que muitas pessoas lutam com este medo. Este medo que nos imobiliza impedindo-nos de buscar a nossa felicidade. É preciso encontrar onde se rompeu o elo da corrente da vida. Restaura-lo e prosseguir. Ganhos e perdas fazem parte de nossa caminha. Sem as perdas, nós não saberíamos valorizar as conquistas. Vale a pena lutar pela nossa felicidade, mesmo que ela seja conquistada com alguns derrotas que nos atropelam. O Mestre dos mestre nos encorajou: “Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! (João 16:33)