Sistêmico e epidêmico.

Tags

, , , , , , , , , , , ,

Fui criado num regime disciplinar extremamente rígido. Meus pais, de uma tradição familiar conservadora sempre exigiu de nós um comportamento íntegro e irrepreensível em todo e qualquer situação. corrupçãoSou do tempo que o professor estava sempre certo, e ai de nós se chegássemos em casa com algum tipo de reclamação da escola. Estou seguro de que tal estilo de disciplina familiar legou-nos, a mim e a meus irmãos, fortes princípios éticos que nos impedem de praticarmos deliberadamente atos reprováveis. O policialmente de nossos próprios valores é muito mais forte do que pressão que os padrões sociais possam exercer em nossas atitudes e comportamentos. Isto faz uma enorme diferença.

Lendo sobre os acontecimentos que tem ocupado os noticiários de nosso país há alguns anos, tenho a sensação de que a frouxidão ética tomou uma proporção insuportável em nossa nação. Precisamos, como condição sine qua non para que o nosso país avance, romper, sem mais detença, com este ciclo vicioso que tem acorrentado nosso gigante.

A corrupção sistêmica precisa ser confrontada e vencida. Há quem diga que na política brasileira ninguém é capaz de suportar a pressão da corrupção sistêmica. Entrou na política, se corrompe. Já ouvi até mesmo, que gente boa não deve entrar na política, porque se estraga. Parece ter um certo viés de corrupção impregnado na política brasileira. É desalentador ver que a corrupção no nosso país não é mais um fato isolado, ou um caso esporádico. A corrupção é a regra. Ela está em todas as esferas e em todos os níveis. Desde os funcionários públicos que servem à população, aos poderosos governantes que dirigem o país. Desde as quitandas da esquina, às grandes empreiteiras. Desde as organizações criminosas com suas megas estruturas, às megas igrejas com seus estilos empresariais. O sistema é opressor. Não se envolver com corrupção é um grande desafio que exige um esforço hercúleo, mesmo dos homens de bem e de bons costumes. A corrupção é tão antiga quanto a existência dos primeiros núcleos sociais. O problema é quando ela se torna sistêmica, e quando sua holisticidade leveda toda massa social. Neste ponto, o enfrentamento precisa ser peremptório, doa a quem doer, servindo-me da afirmação recente do senhor Leandro Daiello Coimbra, Diretor Geral da Policia Federal. A ruptura desta cadeia de corrupção sistêmica não acontece apenas com o fim do mensalão, do petrolão ou de qualquer outro. Ela é o resultado do esforço obstinado, mesmo que seja de uma pequena minoria, que esteja disposta a pagar o preço para construir um país melhore e mais justo.

Nestes últimos anos nos governos do PT, os sinais indicam que a corrupção tornou-se epidêmica no país. Esta é uma constatação factual, lamentavelmente. Desculpe-me, meus amigos petistas ou simpatizantes. Aqui não vai nenhuma critica partidária. Pelo contrário, eu sempre fui afinado com valores apregoados pelo petismo. Minha percepção é de que o PT não soube sobreviver à sedução do poder. Como desabafou, semanas atrás, o ícone maior do petismo, Luiz Inácio Lula da Silva: “Hoje nós precisamos construir isso [a utopia] porque hoje a gente só pensa em cargo do partido, a gente só pensa em emprego, a gente só pensa em ser eleito e ninguém hoje mais trabalha de graça”.[1] O PT que nasceu das bases da classe trabalhadora, que apregoou nas suas origens a austeridade e os mais sublimes ideais sociais, chafurdou-se no mais terrível lamaçal de corrupção, nunca antes visto na história desse país. A corrupção não está mais circunscrita aos currais das bestas feras do poder. Ela tornou-se uma quase incontrolável epidemia nacional. O remédio é amargo, mas não há outro caminho a não ser extirpar do poder os corruptos, corruptores e seus tentáculos, doa a quem doer. A minoria ética não pode arrefecer os ânimos. Ela precisa ser pertinaz e incansável para escrever uma nova história do gigante, hoje acorrentado e imobilizado pelo teias da corrupção.

Oxalá não se calem as vozes da justiça. Tomara, prevaleça o bem, a justiça e a verdade, neste turbulento momento que vive nossa nação. Queria Deus que nosso gigante se desvencilhe dos emaranhados da corrupção. Viva nosso querido e sempre muito amado Brasil!

            [1] Acessado em 17 de julho de 2015. (http://oglobo.globo.com/brasil/lula-defende-revolucao-interna-no-pt-hoje-gente-so-pensa-em-cargo-16518440#ixzz3gApU3xV7)

Know thyself.

Tags

, , , , , , , , ,

As water reflects the face, so one’s life reflects the heart. (Proverbs 27:19 NIV)

Questioning the truth

The sentence “know thyself” is a quote imputed to the Greek Philosopher Socrates, which guided a philosophical thought since the V Century B.C. until a change on the philosophical analysis introduced by Freudians concepts, on the XIX Century. To the Occidental philosophy from Socrates, human happiness is based on full self-understanding only reached through rationality. After Freud, another approach about self-understanding became popular. Emotions started to be recognized as an essential part in this process. So, there is no way of being happy without self-understanding, and the only way to understand ourselves is through emotional transparency. Therefore, only freedom of emotions suffocated by consciousness can bring us human happiness. Humanity has always been in a frenetic search for happiness. Our Lord Jesus lived and taught the Gospel that restored human happiness, in a world full of Socrates racism. In this rationalist world, the search for happiness was based only on full understanding of truth. Moreover, truth was based on absolute self-understanding, trough-exercising rationality.

Because of that, Jesus was questioned several times about “what is the truth”. In the flow of such questions Jesus had taught us the way for real human happiness, which is not based on self understanding through of the rationality paths of Socrates, or even less on the self understanding by release of the pleasure, through overcoming of superego, of Freud. Jesus presents the truth as an understanding of ourselves, through the Creator’s revelation. God, only God as the creator of human kind, is capable of knowing you completely and deeply. Only through a perfect understanding of who we are, through God’s revelation can ensure us genuine happiness.

Having 31 years old and suffering of an agonizing depression, C.S Lewis gave up atheism and hold on to the Christian faith, becoming a huge defense of self understanding through God’s revelation as the only and not replaced way to true happiness.

After becoming Christian, he started to state that happiness would become the main history in his life. This way, he discovered happiness that is born from restoration of our relationship with the Creator. It is the miracle of God’ salvation in Christ making our heart as God’s home that reveals who we are in fact. Because of that Solomon said: “… So one’s life reflects the heart”[1]. In Matthew 12:33 and 34, Jesus compares us to a tree, and in such metaphor He shows perfect harmony as a fruit of self understanding through God’s revelation.

First of all, He states that we are what we produce. “Make a tree good and its fruit will be good, or make a tree bad and its fruit will be bad, for a tree is recognized by its fruit.”[2] For several times we use this verse to explain who are our brothers and sisters and other people. But, that is not Jesus emphasis. If we return to the beginning of the chapter, we will notice that Jesus was dealing with hypocrisy from Pharisees. So that, what Jesus was trying to say here was: Know yourself. Through our fruits we know who we are. Our identity is based on what we produce or leave as legacy. Wherever we go, we sow a little bit of who we are. If we sow peace and happiness, we are from the kingdom of life and fellowship; if we sow hate and fray, we are from the kingdom of darkness and death. Who we are? Our fruits will reveal it.

Secondly, He shows us that each person’s integrity is defined by coherence between what is in fact and what seems to be. “You brood of vipers, how can you who are evil say anything good?“[3] Hypocrisy is to live peacefully with the incoherence of being bad showing good things. True happiness in Christ lays on an authentic life, recognizing our weaknesses and showing ourselves without fear or hypocrisy. There is only one-way to beat our weaknesses: To recognize them! Reputation is what everyone shows to others; character is what is shown through the omniscient power of God. There is no way to happiness living a lie to yourself. Knowing yourself is to do not accept the incoherence between “to be and what seems to be”. Authenticity is a way that leads us to freedom and brings us peace and abundant life. The lightness of an authentic life with no masks is the most precious pearl that adorns a Christian’ life.

In third place, Jesus teaches us that we are the result of what we feed ourselves. “A good man brings good things out of the good stored up in him, and an evil man brings evil things out of the evil stored up in him.”[4] We are a result of what we feed ourselves with. If we feed ourselves with good and healthy things, in return we will have health and wellness. So, that we are also a result of what we hear. If we hear mumbles, complaints and pessimism, from our hearts we will pull bitterness, sadness and defeat. We take from our heart what we allow to fall in it. And, goes into our hearts, things that come through our ears.

My experienced father always taught us that: “a heart becomes pregnant through the ears. So that, be very selective to what you allow your ears to hear”. All Christian virtues ensue from perfect self-understanding. There is no possibility to be happy without knowing the truth about ourselves. The word of God is the mirror that shows who we are. Without such understanding, we will never reach happiness. Therefore, Jesus said: “Then you will know the truth, and the truth will set you free”.[5] May God bless us and make us know who we really are. Only this way, we will reach genuine happiness in our Christian life.

            [1] Proverbs 27:17, NIV

            [2] Matthew 12:33, NIV

            [3] Matthew 12:34, NIV

            [4] Matthew 12:35, NIV

            [5] John 8:32, NIV

Conheça-te a ti mesmo.

Tags

, , , , , , , , , ,

Assim como a água reflete o rosto, o coração reflete quem somos nós. (Rei Salomão em Provérbios 27:19 NVI)

Verdade

 É atribuída ao filósofo grego Sócrates a célebre sentença “conheça-te a ti mesmo”, que orientou o pensamento filosófico desde

o século V a.C. até a mudança da vertente filosófica introduzida pelos conceitos freudianos, no século XIX. Para a filosofia ocidental socrática a felicidade humana está nopleno autoconhecimento alcançado exclusivamente pela razão. A partir de Freud, uma outra abordagem sobre o autoconhecimento passou a imperar. As emoções passaram a ser reconhecidamente a parte fundamental desse processo. Ou seja, não há como uma pessoa ser feliz sem o autoconhecimento e a única possibilidade do autoconhecimento seria a transparência, na área das emoções. Assim, apenas a liberação da emoções sufocadas pelo consciente poderia trazer a felicidade humana. A
humanidade está sempre, numa frenética busca da felicidade.

O nosso Senhor Jesus viveu e ensinou o Evangelho restaurador da felicidade humana, num mundo inebriado pelo racionalismo socrático. Neste mundo racionalista, a busca pela felicidade consistia no pleno conhecimento da verdade. E, a verdade por sua vez, consistia no absoluto conhecimento de si mesmo, pela exercício da própria razão. Por isso, inúmeras vezes Jesus foi questionado sobre “o que é a verdade”. Na correnteza de tais indagações Jesus ensinou-nos o caminho da verdadeira felicidade humana que não está nem no autoconhecimento pelas trilhas do racionalismo socrático, muito menos no autoconhecimento pelo liberação do prazer pela superação do superego, de Freud. Jesus apresenta a verdade como sendo o conhecimento de nós mesmos, através da revelação do Criador. Deus, somente Deus como criador do ser humano pode conhecê-lo completa e profundamente. Somente o conhecimento perfeito de quem somos, através da Revelação de Deus, pode nos proporcionar a felicidade genuína.

Aos 31 anos de idade, chafurdado numa agonizante depressão, C. S Lewis rompeu com o ateísmo e abraçou a fé cristã, tornando-se um grande defensor do autoconhecimento através da revelação de Deus, como único e insubstituível caminho para a verdadeira felicidade. Com sua conversão, passou a afirmar que a alegria se tornara a história central de sua vida. Assim, ele descobriu a felicidade que nasce do restabelecimento do nosso relacionamento com o Criador. É o milagre da salvação de Deus em Cristo, tornando nosso coração habitação de Deus, que nos revela quem de fato somos. Por isso o sábio Salomão afirma: “… o coração revela quem somos nós”[1] . Em Mateus 12:33 a 34 Jesus nos compara a uma árvore e nesta metáfora Ele desvenda a perfeita harmonia, fruto do autoconhecimento que provém da revelação do Pai.

Em primeiro lugar, Ele afirma que somos o que produzimos. “Considerem: Uma árvore boa dá fruto bom, e uma árvore ruim dá fruto ruim, pois uma árvore é conhecida por seu fruto”.[2] Muitas vezes usamos esse versículo para argumentar quem são nossos irmãos, ou outras pessoas. Mas essa não é a ênfase de Jesus. Se retornarmos ao início do capítulo veremos que Jesus estava tratando com a hipocrisia dos fariseus. Assim o que Jesus quer aqui dizer é, conheça-te a ti mesmo. Através dos nossos próprios frutos nós sabemos quem somos. Nossa identidade é firmada naquilo que produzimos ou no que deixamos como legado. Por onde passamos, semeamos um pouco do que somos. Se semeamos paz e alegria somos do Reino de vida e comunhão; se semeamos ódio e contendas, é porque somos do Reino das trevas e da morte. Quem somos? Nossos frutos nos revelam.

Em segundo lugar, Ele mostra, que a integridade de cada pessoa é definida por sua coerência entre o que é, e o que se aparenta ser. “Raça de víboras, como podem vocês, que são maus, dizer coisas boas?”[3] Hipocrisia é conviver pacificamente com o contrassenso de ser mau e aparentar coisas boas. A verdadeira felicidade em Cristo repousa em uma vida autêntica, reconhecendo nossas fragilidades e expondo-nos sem medo e sem hipocrisia. Só há uma forma de vencer nossas fragilidades: reconhecendo-as! Reputação é o que cada pessoa se mostra diante do próximo, caráter é o que se mostra diante do onisciente poder de Deus. Não há nenhuma possibilidade de felicidade, vivendo uma mentira para si mesmo. Conhecer-te a ti mesmo é não aceitar a desastrosa dicotomia do “ser e do aparentar ser”. A autenticidade é a pavimentada estrada que nos conduz à liberdade que nos traz paz e vida abundante. A leveza de uma vida autêntica, sem máscaras é a mais preciosa pérola que adorna o caráter cristão. Em terceiro lugar, Jesus nos ensina que somos resultado daquilo com que nos alimentamos. “O homem bom do seu bom tesouro tira coisas boas, e o homem mau do seu mau tesouro tira coisas más”.[4] Somos o resultado daquilo que comemos. Se nos alimentamos de coisas boas e saudáveis teremos como recompensa saúde e bem estar. Assim também somos resultado daquilo, para o que oferecemos nos ouvidos. Se ouvimos murmurações, queixas e pessimismo, do nosso coração tiraremos amargura, tristeza e derrotismo. Tiramos do coração aquilo que permitimos descer ao coração. E, desce ao coração aquilo que entra pelos nossos ouvidos.

Meu velho pai tinha uma máxima que sempre nos ensinou: “o coração se engravida pelos ouvidos. Por isso, selecione bem aquilo para o que você empresta seus ouvidos”, dizia ele.

Todas as virtudes cristãs emanam do perfeito autoconhecimento. Não há possibilidade de felicidade sem conhecermos a verdade sobre nós mesmo. A Palavra de Deus é o espelho que nos revela quem somos. Sem tal conhecimento jamais alcançaremos a felicidade. Por isso, disse Jesus: “…e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.[5] Que o Senhor nos abençoe e nos faça conhecer quem de fato somos. Só assim, alcançaremos a mais genuína felicidade da vida cristã.

[1] Provérbios 27:19, NVI

            [2] Mateus 12:33, NVI

            [3] Mateus 12:34, NVI

            [4] Mateus 12:35, NVI

            [5] João 8:32, AA

E se a máquina de cortar grama não funciona…

Tags

, , , , , , , , , ,

Ela já é de meia idade. Já precisou de algumas recauchutagens, e já não é como era quando novinha. Já pensei em trocá-la por uma mais nova, mas é caso de amor antigo, não adianta. Foi um presente de um grande amigo, a quem admiro muito, Dr. Peter Heslin, quando anos atrás, mudou-se para Sidney, Austrália. Ela me acompanha há anos. Minha velha máquina de cortar grama já da sinais de cansaço, e parece insistir pedindo para aposentar-se. Eu insisto em tê-la comigo, não apenas por uma questão econômica, mas acima de tudo por uma questão afetiva. Gosto de amizades antigas. Gosto de cuidar das velhas amizades e investir em novas. PersistênciaAssim, ela vai vencendo os anos como minha companheira, nos meus agradáveis momento de cuidar do jardim. Cuidar da grama, cortá-la e aduba-la regularmente é uma prazerosa atividade que oxigena minha mente e alivia minhas tensões. A tradição americana de grandes gramados em frente às casas é criteriosamente fiscalizada pelo poder público. Se não cuidamos dele, mantendo-o em bom estado, recebemos uma advertência do governo municipal. Se insistirmos no desleixo, o próprio governo municipal cuida e envia-nos a conta do serviço. Assim, cuidar bem da grama de nossas casas é quase um dever cívico. Claro, não é tarefa fácil, mas eu mesmo gosto de fazê-la, ao contrário da maioria dos americanos que paga 25 ou 30 dólares aos “grameiros”, por cada vez que cortam suas gramas. O gratificando é o fim da tarefa quando sinto aquele agradável cheiro da natureza. É uma gostosa sensação vê-la bem cuidada, parecendo agradecer nos dias subsequentes, devolvendo-nos um verde todo especial, cheio de vida. Para mim, preparar as máquinas e seguir uma sequência ordenada e organizada nesta tarefa sabática é um prazeroso ritual. Dias atrás, quando preparava as máquinas para meu ritual sabático, algo desafinou a rotina. Minha velha máquina sofreu uma pane, consequência de uma grande chuva que caiu nos dias anteriores, provavelmente molhando partes vitais do motor. Por maiores que fossem meus esforços, ela não funcionava. Enquanto tentava, chegou meu amigo Luciano Silveira, juntamente com Celídio, meu genro. Nós três insistimos na tentativa de fazê-la funcionar, sem sucesso. Por fim, Luciano sentenciou o fim da minha velha máquina, apoiado pelo meu genro: “Pastor, essa pode ir para o lixo”. Ainda esperançoso de ver minha velha companheira voltar a funcionar, decidi guarda-la para novas tentativas, outro dia. Quando já estava colocando-a no depósito, resolvi fazer a última tentativa, e para minha surpresa, funcionou. Cortei minha grama, e minha velha companheira parece ter ainda muito fôlego para seguir comigo, por muito tempo.

Minha experiência naquela manhã de sábado me fez refletir sobre o quanto é importante persistir. A vitória pode estar exatamente na próxima tentativa. Fiquei imaginando quantas vezes desistimos quanto estamos tão perto. Tenho tentado pautar minha vida em alguns princípios que tem me ajudado, muitas vezes. Não sou especialista no assunto, por isso, minhas percepções sobre a matéria não possuem fundamentações científicas, mas baseiam-se no empirismo da vida. Pode ser que funcione para você, também:

1) Tentativas frustradas não podem ser contabilizadas como derrotas, precisam ser encaradas como passos no processo das conquistas – Os grandes homens da história universal não se tornaram célebres apenas por serem gênios, mas acima de tudo por serem persistentes. Thomas Alva Edison registrou durante sua vida, 2.332 patentes de suas invenções. Aperfeiçoou e sistematizou a produção maciça de inúmeros de seus inventos.[1] Foi um pertinaz perseguidor de resultados e sempre via seus aparentes insucessos como passos, no processo da conquista. Suas convicções pessoais alimentavam sua persistência: “Muitos dos fracassos desta vida estão concentrados nas pessoas que desistiram por não saberem que estavam muito perto da linha de chegada.[2] Tenho sempre, em minha vida, tentado perseguir o princípio de que o último passo é o passo da conquista, e não da desistência. Sempre haverá mais um tentativa, até que objetivo seja alcançado. O último passo nunca deve nos levar à desistência. O último passo precisa ser o passo que nos coloque no podium.

2) A murmuração e o pessimismo comprometem o espírito de persistência e adiam as conquistas – Naquele sábado, quando as primeiras tentativas de fazer a máquina funcionar sinalizaram que ela parecia ter chegado ao fim, eu comecei a murmurar, mentalmente. Imediatamente lembrei-me de uma mensagem que eu havia recebido naquele dia, logo pela manhã. Um grande amigo me pedia que orasse por sua viagem missionária para San Marcos, interior do Texas, onde 2 mil pessoas haviam perdido suas casas, devido às fortes chuvas da semana. Senti-me profundamente envergonhado por estar murmurando por algo tão banal. Eu murmurava apenas porque minha velha máquina de cortar grama não queria funcionar, enquanto milhares de pessoas há poucas milhas de mim sofriam o desfortúnio de terem perdido suas casas. Na maioria das vezes murmuramos por coisas tão insignificantes, enquanto pessoas ao nosso redor enfrentam problemas infinitamente maiores. Paulo nos encoraja a sermos gratos em todas e quaisquer circunstâncias: “Dêem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus”.[3] Dar graças à Deus por tudo é reconhecer que Deus está no controle de nossas vidas e que cuida de nós todo tempo.

3) Uma pausa em nossas tentativas permite que nosso cérebro trabalhe alternativas e soluções viáveis – Não sei qual o fundamento científico. Mas, eu creio que enquanto ocupamos nossas mentes com outras coisas que não sejam o foco do problema que estamos vivendo, desconectamos, dormimos ou descasamos, nossas mentes trabalham como que em segundo plano, numa espécie de reflexão inconsciente, buscando soluções para o problema. Não foram poucas as vezes que eu coloquei em “stand by”, algo com que eu estava trabalhando, e quando voltei a pensar sobre o assunto, fluiu soluções claras e simples. Muitas vezes, deitei-me com algo que parecia insolúvel em minha mente, e surpreendentemente ao acordar pela manhã, a solução veio de forma tão clara, como a luz do dia. Gosto de pensar que isso tem conexão com a afirmação do sábio Rei Salomão: “Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados Ele o dá enquanto dormem”.[4] Parece-me que a maioria dos gigantescos desafios diários do Reino de Salomão eram solucionados, servindo-se desta extraordinária habilidade de nossas mentes, de trabalhar enquanto dormimos. Além, é claro, do sobrenatural “overnight” cuidado de Deus conosco, podemos ainda contar com este fantástico poder de nossas mentes, criadas por Deus. Tenho a sensação de que quando afrouxamos a pressão sobre elas e relaxamos, elas trabalham de forma criativa e infinitamente melhor, trazendo soluções simples e funcionais para nossos desafios. Fico imaginando quantas vezes na vida desistimos de coisas que estávamos a um passo de conquistar. O grande inventor Thomas Edison era obcecado em tentar mais uma vez. Ele disse: “Nossa maior fraqueza está em desistir. O caminho mais certo de vencer é tentar mais uma vez”[5]. Desistir é a desastrosa maneira de enterrar definitivamente nossos sonhos. Persistir é a única maneira que nos leva a alcança-los. Se você já tentou muitas vezes, tente mais uma. Quem sabe este será o último e decisivo passo para conquistar o seu sonho.

Nosso dia-a-dia está cheio de boas lições de vida, basta estarmos antenas e veremos. Há sempre uma velha máquina de contar grama perto de nós, nos ensinando grandes lições. Que Deus o abençoe!

[1] Acessado em 4 de julho de 2015, https://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Edison#Inven.C3.A7.C3.B5es

[2] Tomás Edison, Acessado em 4 de julho de 2015, http://pensador.uol.com.br/autor/thomas_edison/

[3] Apóstolo Paulo em 1 Tessalonicenses 5:18 (NVI)

[4] Rei Salomão em Salmos 127:2 (RA)

[5] Thomas Alva Edison. Acessado em 05 de julho de 2015, http://kdfrases.com/frase/117475

Pastores são mulas…

Tags

, , , , , , , , , ,

Não é bem isso que provavelmente você esteja pensando. Siga comigo até o fim, não prejulgue minhas elucubrações, e possivelmente você tangenciará os caminhos dos meus pensamentos.

A distância que nos separa das tragédias da vida parecem minimizar seus impactos sobre nossas emoções. Quanto mais distante, elas nos parecem menos chocantes, e nos passam mais desapercebidas. Ao contrário, quando mais próximas de nós, elas nos afetam mais intensamente.pastor

Tragédias com pastores e suas famílias não são acontecimentos apenas recentes, sempre houve e sempre haverá. Pastores e suas famílias são seres humanos, sujeitos as mesmas vicissitudes experimentadas por qualquer outra pessoa, ou família. No entanto, nos últimos tempos parecem ter se avolumado o número de tragédias, quer por escândalos, quer por fatalidades.

Dias atrás (em 31 de maio de 2015), um acontecimento chocou a cidade de Houston, no Texas. O pastor Phil Lineberger, pastor da Sugar Land Baptist Church, depois de meses enfrentando um processo de profunda depressão, suicidou-se. Quatro anos antes, ele pregava no funeral de um de seus melhores amigos, o também pastor John Petty, pastor of Trinity Baptist Church in Kerrville, que também suicidou-se. Este e outros momentos trágicos suscitam muitas perguntas, mas encontram poucas respostas. Quem são esses homens e mulheres que doam suas vidas ao próximo, mas que muitas vezes sofrem tanto? Por que se dedicam tanto aos seus rebanhos e muitas vezes não cuidam de si mesmos? Por que estão sempre prontos para cuidar dos outros e na maioria das vezes não tem quem cuide deles?

Em 2007 o Francis A. Schaeffer Institute of Church Leadership Development publicou o resultado de uma pesquisa feita durante 18 anos, sobre pastores e seus ministérios[1]. Ela é extensa e complexa. Porém gostaria de destacar algumas conclusões:

  • 90% dos pastores afirmam que estão frequentemente cansados e desgastados.
  • 89% dos pastores pesquisados consideraram pelo menos uma vez, deixar o ministério.
  • 57% disseram que deixariam o ministério se eles tivessem um lugar melhor para trabalhar, incluindo o trabalho secular.
  • 71% dos pastores afirmaram que estavam queimados, e lutavam contra depressão além de fadiga, semanalmente e até mesmo diariamente.
  • 78% disseram que foram forçados a renunciar suas igrejas, pelo menos uma vez.
  • 63% disseram que foram dispensados de suas funções pastorais, pelo menos, duas vezes.

A pesquisa perguntava a razão de renunciarem ou serem dispensados de seus pastorados. Das 15 razões mas frequentes, as três primeiras foram: liderança fraca, conflitos com pessoas chaves ou liderança leigas, e fofocas. Parece-me que aí está o “x” da questão. Claro, não quero ser simplista e atribuir uma causa única à um problema tão complexo como este. No entanto, eu creio que este tem sido um fator extremamente relevante, principalmente nas denominações históricas em que a responsabilidade do governo eclesiástico é compartilhada entre o pastor e seus líderes. Os conflitos de liderança tem queimado pastores e líderes, e imposto terríveis sofrimentos às igrejas. Sinceramente, não creio na intencionalidade perversa ou má, de nenhuma das partes. Todos, e todas as partes desejam e buscam sinceramente o melhor para a Igreja de Jesus. Eu acredito que as diferentes maneira de ver a realidade têm colocado pastores e líderes em campos distintos e em rota de colisão. E, é neste ponto que identifico características dos pastores com a mula, a mula de Balaão. Se você não se lembra muito bem desta história, sugiro que releia Números 22, antes de continuar a leitura desta minha reflexão.

Comumente, comparar uma pessoa a uma mula pode ser agressivo, ou até mesmo ofensivo. No entanto, as mulas são animais com características muito especiais e interessantes. Pastores são como mulas. As mulas são animais serviçais e dóceis no trabalho pesado. Pastores possuem especial paixão pelo seus ministérios e pelas ovelhas, o que os tornam pessoas de uma incomum dedicação, no que fazem. Eles não têm horário definido de trabalho, e nem funções definidas. Estão de prontidão a todo momento, para o que der e vier. Via de regra, não sabem dizer não quando requisitados, seja para o que for. E, quando por algum motivo precisam dizer não, são tidos como relapsos, omissos e faltosos com as responsabilidades de seus chamados. Mesmo sendo espancada por Balaão, seu dono, ali estava sua mula, resignada e fiel à sua missão, dedicada e pronta para servir. Muitos pastores têm chegado ao total esgotamento pelo simples fato de se dedicarem sem reservas e sem limites aos seus chamados.

Em determinado ponto da caminhada, a mula viu o Anjo do Senhor com uma espada na mão e desviou-se do caminho. Interessante, que apenas a mula viu o Anjo. Nem Balaão, nem seus dois auxiliares que viajavam com ele podiam ver o anjo. Isso se repetiu por três vezes e, Balaão a espancava, sem entender as reações da mula. Por fim, não tendo por onde passar, a mula empacou no caminho e foi duramente espancada, e o Senhor a fez falar.

O pastor, muitas vezes, é um visionário solitário. Sua vocação o privilegia, permitindo-lhe “ver anjo” no caminho, onde muitas vezes, ninguém vê. Suas reações e as direções de suas escolhas não podem ser entendidas por aqueles, para quem o Senhor não permitiu “ver o anjo” no caminho. Por vezes, eles são açoitados com duras críticas por aqueles que não podem “ver o anjo”. E, muitas vezes o Senhor não os permite falar, como permitiu à mula de Balaão. Eles precisam caminhar solitários, enfrentando os açoites dos ventos contrários. Muitos deles sucumbem à tão intensa pressão, adoecem física e emocionalmente. Esta tensão torna-se significantemente maior nas denominações em que a condução da igreja precisa ser compartilhada em harmonia com a liderança leiga da igreja.

Por esta causa, o autor da carta aos Hebreus exorta-nos: “Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil”[2]. O autor de Hebreus dá fortes razões para que sejamos obedientes aos nossos pastores: porque velam por vossa alma; porque isso [servir com gemidos de dor] não vos seria útil. Em outras palavras, o autor está dizendo que todos saem perdendo com o espírito de desobediência e rebelião na Igreja. Urge, que a Igreja de Jesus retorne ao reto caminho de ser mais Corpo de Cristo e menos empresa; que os líderes leigos e pastores sejam mais servos e menos gerentes; que as Igrejas sejam mais campinas verdejantes que alimentem seus rebanhos e menos currais e empresas. Que o Senhor nos abençoe!

[1] Acessado em 29 de junho de 2015, http://www.intothyword.org/apps/articles/default.asp?articleid=36562&columnid=3958

[2] Hebreus 13:17 (ARC)

Eles precisam de nosso tempo, mais do que qualquer outra coisa….

Tags

, , , , , , , ,

Minha vida estava um loucura. Meu ativismo chegou a tal ponto, que algumas vezes ia em casa apenas para trocar a mala de roupa, e viajar novamente. Quando estava em casa, saía quando as crianças ainda estavam dormindo, e retornava quando eles já tinham ido para a cama. Por vezes, passava dias sem vê-los acordados. Eu era escravo de uma agenda louca e tirana.

Aline TheodoroNum desses dias cansativos e estressantes, eu já me preparava para ir embora mais cedo e minha secretaria me alertou: “Pastor o senhor ainda tem um atendimento hoje”. Voltei ao meu escritório, esperando a pessoa. Minutos depois minha princesinha Aline, que na época tinha 13 anos, entrou na minha sala e sentou-se na cadeira à minha frente. Olhei com carinho para ela e disse: Filhinha, papai ainda tem um atendimento. Espere lá fora que já vamos para casa. Ele olhou direto nos meus olhos, firme e determinada como sempre foi, disparou: “Pai, o seu atendimento é comigo. Já que meu pai não tem tempo pra mim, eu vim conversar com meu pastor.”

Não me lembro muito qual era o assunto, mas jamais esqueci a lição. Abracei Aline, e não consegui conter as lágrimas. A ousadia e personalidade forte e determinada de Aline me ensinou uma grande lição: nossos filhos precisam de nosso tempo, mas do que qualquer outra coisa. A vida passa rápido, e quando assustamos eles já são adultos, e os melhores momentos ficaram para trás. Que Deus nos abençoe!

Eles nascem sabendo o quanto isto é precioso…

Tags

, , , , , , , , , , , , ,

isto é preciosoEra um tempo difícil. Eu e minha esposa aceitamos o chamado do Senhor para nos dedicamos ao ministério, servindo a Deus onde quer que Ele nos chamasse. Nos mudamos, e fomos para o Seminário Presbiteriano de Campinas, nos preparar para servirmos ao Senhor. Nosso sustento se resumia a uma pequena ajuda que nossa igreja podia nos enviar, uma pequena remuneração que recebíamos da Congregação onde nos dedicávamos aos finais de semana, e a ajuda de generosos irmãos, dentre eles, o casal Santini que adotou-nos como filhos, a quem aprendemos amar como nossos próprios pais.

Karine TheodoroNossa primeira princesinha, a Karine, já havia nascido, nossa segunda princesinha, a Aline, estava a caminho. As dificuldades financeiras eram desafiantes. Nesta efervescência de mudanças, Karine adoeceu seriamente a ponto de pensarmos que perderíamos nossa princesinha. Foram meses de choro e oração intensa. Por fim, por uma graça divina, encontramos a Dra. Rose, um anjo de Deus que cuidou de Karine com amor de mãe. Recuperada, como se nunca tivesse estado doente, Karine tornou-se uma criança ativa e serelepe como qualquer outra criança, e queria muito ganhar uma bicicleta. Nossa situação financeira não permitia tal extravagância. Por fim, dias antes de completar seus três aninhos, a avó materna nos enviou um dinheiro para comprar a tão desejada bicicleta. Ansioso, peguei um ônibus e fui compra-la. Findei por trazê-la mesmo no ônibus com muita dificuldade, tal era minha ansiedade de ver seus olhinhos brilharem de alegria. Coloquei a caixa no meio da sala e chamei Karine, que brincava com seus amiguinhos na campo de futebol do Seminário. Mostrei-lhe a caixa e disse que ali estava o presente da vovó çãozinha, como ela assim a chamava. Para minha frustração, ela abriu a caixa, olhou rapidamente e exclamou: “Ah, é uma bicicleta”. Rapidamente, e sem maiores cerimônias, retornou para brincar com seus amiguinhos.

Dias depois, cheguei para almoçar, cansado das madrugadas de estudos. Almocei, e deitei-me para descansar os parcos 30 minutos que tinha, antes das aulas da tarde. Karine pulou na cama e com os olhinhos brilhando de alegria me convidou euforicamente: “Pai, vamos brincar de pular na cama?” Era sua brincadeira favorita. Tentei em vão, convence-la de que eu estava muito cansado e que brincaria outra hora. Sua insistência me fez esquecer o cansaço e concordei, sob a condição de ser 10 minutos de brincadeira e 20 de descanso. Seus olhinhos brilharam como estrelas do céu, sua alegria era incontida, e sua felicidade contagiante.

Brincamos, e retornei à sala de aula pensando naquele singular momento de alegria. Minha mente vagava entre as duas cenas: a da bicicleta e os pulos na cama. Descobri naquela tarde, que graças a Deus, minha filha ainda não havia aprendido com os perversos adultos o valor de coisas, mas permanecia com suas convicções infantis com as quais nascemos, com a verdadeira percepção do que realmente é preciso. Por isso o Mestre nos ensinou: “[Jesus] chamando uma criança, colocou-a no meio deles, e disse: “Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus.”[1]. Que façamos renascer todos os dias, a criança latente que temos dentro de nós. Que Deus nos abençoe!

[1] Evangelho de Mateus 18:2,3 (NVI)

Pessoas bem sucedidas e a “teachability”

Tags

, , , , , , , , ,

Hoje pela manhã acordei pensando numa possibilidade impossível, desculpem-me o trocadilho. Não me considero uma pessoa mal sucedida na vida. Considerando o ponto de partida de minha vida e onde cheguei até agora, sou muito grato a Deus pelas minhas conquistas. Muitas delas, absolutamente impensáveis para um menino pobre, nascido na zona rural de Mimoso do Sul, e décimo filho de um caminhoneiro que lutou herculeamente para criar sua prole. Por outro lado, tenho consciência de que poderia ser muito mais bem sucedido na vida, se aprendesse logo cedo o quanto a “teachability” pode nos tornar pessoas vitoriosas. Desculpem-me o anglicismo, mas parece-me que esta palavra não encontra uma correlata no nosso rico português, que possa expressar a força que elateachability tem inglês. Teachability é a capacidade que podemos desenvolver de ter vontade de aprender, ser dócil aos ensinamentos dos mestres, e estar sempre pronto e ávido a aprender. Esta habilidade é uma das mais importantes chaves para o sucesso.

A vida só nos permite viver uma única vez, cada situação. Heráclito, o pai da dialética, filósofo pré-socrático afirmou: “Um homem não entra duas vezes no mesmo rio”. Da segunda ou próximas vezes, será um outro homem e um outro rio. Nós vivemos um processo constante de mudanças e o mundo ao nosso redor é dinâmico, tudo muda constante e rapidamente. Estas duas variantes nos obrigam a estar sempre aprendendo, pois o que sabíamos ontem já não serve muito para hoje e muito menos para amanhã.

“Aquele que quer aprender gosta que lhe digam quando está errado; só o tolo não gosta de ser corrigido”.[1] Aprender, exige de nós certa disciplina e decisões intencionais.

Em primeiro lugar, precisamos estar abertos à possibilidade de estarmos errados. A arrogância daqueles que se acham sempre com a razão, embrutece o conhecimento e enrudece a mente. Nosso instinto humano sempre nos induz à fechar nossos ouvidos aos diferentes, e é exatamente na diferença de opiniões que aprendemos e crescemos. Os iguais não nos acrescentam nada ao que já temos. A diversidade é rica, e nos ensina.

Precisamos também, considerar com atenção os conselhos daqueles que já passaram pela estrada que nós estamos passando. A vida é uma longa estrada que não tem retorno, ela não nos permite pisar os mesmos lugares já pisados. Quantas vezes lamentamos “ah, se eu pudesse voltar atrás…” Lamentar jamais nos fará voltar atrás, mas há pessoas que já trilharam o caminho pelo qual estamos passando, e podem nos ensinar sobre suas curvas e perigos. A experiência é um precioso legado daqueles que estão à nossa frente na estrada da vida. Aprender com os mais velhos não nos custa nada, apenas requer de nós humildade e interesse.

Precisamos ainda reconhecer que todos tem o que nos ensinar, todo tempo temos algo a aprender e todo aprendizado é útil. Estes são os “todos” daqueles que são teachable. Aprendemos coisas importantes com pessoas com quem ninguém espera aprender. Por mais simples que alguém seja, sempre tem algo a ensinar. Algumas pessoas acham que já viveram muito e que sabem tudo. Ledo engano, vivemos e morremos aprendendo. Aprendi isso com uma saudoso amigo que já está com Jesus. Rev. Josué[2] entrou na minha classe, no primeiro dia do curso de Homilética que eu iria ministrar. Constrangido eu interpelei: “Reverendo o senhor deveria estar aqui ensinando.” Ele sabiamente respondeu: “Não, eu tenho muito que aprender, quem acha que sabe tudo não aprende nada. ”Todo aprendizado é útil, senão hoje, o será amanhã. Meu velho pai, em sua simplicidade dizia que tudo que aprendemos, um dia precisaremos.

Se os anos voltassem eu queria aprender mais; queria errar menos e chegar mais longe do que já cheguei. Eis ai o segredo de quem vai mais longe. Thomás Edison sintetizou assim: “Mostra-me um homem cem por cento satisfeito e eu mostrar-te-ei um fracassado.”

[1] Rei Salomão em Provérbios 12:1 (NTLH)

[2] Rev. Josué Jorge foi pastor emérito na Primeira Igreja Presbiteriana de Ponta Grossa.

The First Brazilian Migratory Movements to the United States

Tags

, , , , ,

Historian and writer James Truslow Adams in 1931 in his book, The Epic of America, coined for the first time the term “American Dream,” defining it as follows: “The American Dream is that dream of a land in which life should be better and richer and fuller for everyone, with opportunity for each according to ability or achievement. It is a difficult dream for the European upper classes to interpret adequately, and too many of us ourselves have grown weary and mistrustful of it. It is not a dream of motor cars and high wages merely, but a dream of social order in which each man and each woman shall be able to attain to the fullest stature of which they are innately capable, and be recognized by others for what they are, regardless of the fortuitous circumstances of birth or position”.[1]

More than coin a phrase or create a dream, Adams realized and summarized in his work the feeling of the pilgrims, who left Europe in search of new horizons for their lives. Historian Jim Cullen finds in the Reformed convictions the fundamentals of the American Dream: “This faith in reform became the central legacy of American Protestantism and the cornerstone of what became the American Dream. Things—religious and otherwise—could be different. For the first generation of American Puritans, reform meant starting over, building a new society of believers for themselves and their children.”[2]

The Reformed convictions that the pilgrims brought with them fed this feeling of hope and a dream of a better future in the new land. The “American Dream” was not a cognizant reality in the life experience of the pilgrims, but it was a lived reality, even if unconscious. Adams became the spokesman of the “American Dream” by being able to verbalize such a feeling built into the lives of the first immigrants that arrived inNorth American soil. The victory of the Allies who promoted the hegemony of the United States, particularly in the western world, gave a global visibility to the American Dream. After the Allied victory, with the rise of the United States as the greatest world power, the American dream of equal opportunities became the major immigration attraction for many people, especially those under the control and influence of American imperialism. Brazil, as a prime target of interest for the United States, in Latin America, was strongly impacted. Beserra describes this phenomenon as follows: “I propose that Brazilian immigration to the United States be understood in terms of the ways American imperialist ideologies have penetrated Brazilian society. Grounded in American technological development, and in the position that te United States assumed in the international division of labor after World War II, American ideologies diffuse new standard of consumption and new ways of understanding life and happiness across the globe. This is so much the case that the dreams that brought and keep bringing Brazilians to the United States are particularly connected with the impossibility of accomplishing at home the ideals of material and cultural consumption promoted by the United States”.[3]

[1] James Truslow Adams, The Epic of America (1931; repr., New York: Simon Publications, 2001), 214.

[2] Jim Cullen, The American Dream: A Short History of an Idea That Shaped a Nation (Oxford University Press, 2004), 268-270, Kindle.

[3] Beserra, Brazilian Immigrants in the United States, 13.

Capitalism’s Effects upon the Brazilian Concept of Well-bein

Tags

, , , , , , ,

The concept of well-being in life has undergone a major paradigm shift in the postwar world. Especially in Brazil, industrialization was one of the factors responsible for rural depopulation and the consequent overcrowding of urban centers. The expansion of capitalism, and the American Empire as a reference, was the major factor in the industrial explosion of postwar Brazil. The industrial revolution of the late eighteenth century that began in Britain and in a few decades spread to Western Europe and the United States only arrived effectively in Brazil after World War II as a result of the influence of North American capitalism.

The Brazilian industrial revolution that happened in the second half of the twentieth century brought with it access to consumer goods never before possible to the population. However, these consumer goods were almost exclusively accessible to the urban population. This initiated a migratory movement from rural areas to major centers of development. In a way, this social transformation had its main cause in strengthening the capitalist system in Brazil because of U. S. influence. Beserra thus concludes about this migratory movement, “Since capitalist development has promoted the dislocation of large numbers of people from ‘periphery’ to ‘center,’ or from ‘backward’ to ‘modern’ areas, immigration has been seen as a highly positive phenomenon for the immigrants themselves and for their hometowns because it contributes to modernization at large.”[1]

With the growth of the Brazilian urban population, the influence of North American capitalist ideology became responsible for the new concept of well-being of life in the thinking of the Brazilian population. Hollywood movies, manufactured goods, comfort technology, and other byproducts of industrialization brought a new concept of life for Brazilians. The concept of personal well-being has become associated with the condition of the North American society.

The technological and industrial advancement that progressed after the Second World War did not meet the demand of the population growth in Brazilian urban centers. The large urban agglomerations have become ghettos of poverty, called “favelas” in Brazil. Thus the United States became the paradise of dreams to a large portion of the population, especially to young Brazilians. californiaThe strong appeal of cinematic glamor that Hollywood showed nurtured the dream of many people. The musical compositions of Nelson Motta[2] and Lulu Santos[3] translates the dream of Brazilian youth during the 1980s: “Garota, eu vou pra Califórnia. Viver a vida sobre as ondas. Vou ser artista de cinema. O meu destino é ser star.”[4] Interestingly, the word “star”[5] in the lyrics of the song is in English rather than Portuguese, reinforcing the ideological Americanization of the musical poem. Thus, the North American ideals of well-being, comfort, and materialism were imposed upon the postwar generation of the Western world.

[1] Beserra, Brazilian Immigrants in the United States, 11.

[2] Nelson Cândido Motta Jr. was born in São Paulo on October 29th, 1944. He is journalist, composer, writer, screenwriter, music producer, and Brazilian lyricist.

[3] Luiz Maurício Pragana dos Santos was born in Rio de Janeiro on May 4, 1953. Simply known as Lulu, he is singer, songwriter, and Brazilian guitarist.

[4] Nelson Motta and Lulu Santos, De Repente, Califórnia, Warner Music Group, August15, 1982. “Girl I’m going to California, living the life on the waves. I’ll be a movie star. My destiny is to be a star.”

[5] “Estrela” is the word in Portuguese for the word “star” in English. In the lyrics of the song, the word “star” is used intentionally instead “estrela” in Portuguese.